quinta-feira, 10 de março de 2011

Comentários sobre o vídeo "Inteligência”, de Pierluigi Piazzi



Por que nosso sistema educacional não funciona? Por que fazemos tantas provas e depois delas, esquecemos tudo o que (achávamos) que tínhamos estudado? Por que a Finlândia tem a melhor educação do mundo? Qual a diferença entre aluno e estudante?

Estas e outras questões profundas são abordadas de maneira simplesmente brilhante pelo professor Pierluigi Piazzi, autor dos livros “Aprendendo Inteligência”, “Incentivando Inteligência” e “Ensinando Inteligência”.

Em uma palestra sobre o assunto, o professor começa mostrando que aluno e estudante são palavras antagônicas. Pois para ele, aluno é “aquele que assiste aula”, pois trata-se de uma ação coletiva e passiva. Já estudante, é o que aprende, em uma ação solitária e isolada.

O professor explica, durante cerca de uma hora, como nosso cérebro funciona, e mostra que nunca é tarde para desenvolvê-lo. Sim, porque inteligência se aprende. Todos temos capacidade.

Ele explica que para que o aluno consiga realmente aprender, e não simplesmente decorar, é preciso estudar depois de ter assistido a aula. Este é o grande segredo da educação finlandesa: os alunos ficam na escola em tempo integral. Pela manhã, assistem a aula, coletivamente, e durante a tarde, além das atividades esportivas, cada criança tem seu espaço para rever, aprender o que viu durante a manhã, em uma ação solitária e ativa. Simples assim!

Piazzi também revela a importância desta rotina ser seguida diariamente, já que a aprendizagem do ser humano é feita diarimente, e não por bimestres, semestres, anos ou ciclos. Neste ponto, o professor questiona nosso sistema de ensino, que avalia o aluno pouquíssimas vezes, não permitindo que este possa colocar o que viu em prática. Mais que ganhar notas, provas são tarefas que auxiliam na construção do conhecimento.

O professor defende que o sistema brasileiro deve mudar as regras, e não as pessoas. Assim, defende três atitudes que mudariam o rumo da educação: o professor voltar a ter o direito de ser o único a falar em sala de aula, durante a explanação do conteúdo, o aluno estudar, não para passar na prova, mas para aprender, e isto, diariamente, e não um dia antes dela, e a última, ler. E neste último ponto, lembra que nossos vizinhos argentinos “dão um banho no Brasil”, já que “só Buenos Aires tem mais livrarias que o Brasil inteiro”.

Sobre a primeira mudança, ele comenta que a televisão teve grande participação, já que as pessoas aprenderam a falar e ignorar quem está falando ao seu lado. Assim , o professor passa a ser na aula, simplesmente mais uma pessoa a falar sozinha, como a televisão. Sem demonizá-la, Piazzi lembra que devemos usá-la, como a qualquer outro aparelho eletrônico. Se realmente não a estivermos usando no momento, que a desliguemos e poupemos nossos ouvidos. Assim, durante a aula, devemos prestar atenção no professor, que está nos dando informação para que mais tarde, sozinhos, possamos aprender sobre o que ele falava.

A segunda atitude diz respeito ao sentido de estudarmos. Infelizmente, desde o ensino fundamental até a pós-graduação, estudamos para tirarmos boas notas, mas não para aprender. Prova disto, é que estudamos um dia antes, e não diariamente. Isto faz com que decoremos o assunto para o momento, e depois o esqueçamos.

Por último, ele fala sobre a importância de sermos autodidatas. Para ele, quanto mais velhos ficamos, mais autodidatas devemos ser. Assim, a cada ano escolar, as aulas perdem a importância e dão espaço ao estudo solitário e autodidata. Mas para isto, lembra que é imprescindível a interpretação de texto e um bom vocabulário, que só conseguimos com a leitura.

Lembro-me que algumas vezes, tentei fazer isto, instintivamente. Na oitava, anotava em uma agenda o que tinha visto durante a aula, mas isto, durou poucos dias.

Achei muito interessante também a parte que o professor fala sobre a importância do professor passar tarefas, e diz que para aqueles que estudam a noite, é preciso realizar as tarefas depois das aulas, antes de dormir. Pensando no curso de Pedagogia, creio que todos os professores deveriam fazer isto: após a explanação, passar alguma tarefa para ser feita no dia.

Sobre leitura, não tenho dificuldades, e sei a importância disto. Aprendi a ler muito cedo e tudo foi natural para mim. E com o passar do tempo, minhas preferências foram aumentando. Consigo ler livros técnicos com a mesma empolgação que lia os livros da coleção “Para Gostar de Ler”, muito presentes em minha infância.

Enfim, a palestra abre nossos olhos para o quanto precisamos mudar nossa postura enquanto estudantes e futuros professores.

Obs: Para assistir a palestra toda, entre no You Tube e acompanhe as oito partes. Esta é só a primeira.

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