A Constituição Federal assegura à criança o contato com sua família (art. 227) e o Parecer nº 22/98 da CNE/CBE ressalta a importância da família no processo educativo da criança pequena.
Também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) determina em seu art. 29 que a educação infantil será complementar à ação da família e que o primeiro dever de educar pertence ao núcleo familiar.
Mesmo considerando que o espaço na educação infantil (CEIs e Emeis) seja prazeroso e importante para o desenvolvimento das crianças atendidas, não deixa de ser uma obrigação para a criança sair do seu aconchego familiar. Nós, professores e profissionais que atuamos na educação infantil, percebemos como é visível o cansaço das crianças quando estamos próximos do encerramento do ano e a necessidade de um tempo para descanso e maior contato familiar.
Sabe-se que quanto menor a criança maior a necessidade de atenção e contato com seus pais, amigos e parentes. Entretanto, o que acontece é o contrário: quanto menor a criança maior o tempo de atendimento pelas escolas.
É preciso considerar a necessidade de manutenção dos prédios. Quando serão feitas pinturas, consertos e outras atividades de manutenção? Nunca ou com as crianças frequentando o espaço, o que é inadmissível, pois obras e consertos colocam em risco a segurança das crianças.
A Justiça, pelo que se entende, deveria zelar, em primeiro lugar, pela defesa daqueles que não têm poder de se defenderem sozinhos, como é o caso das crianças que não possuem condições de reclamar e decidir o que consideram melhor e que, com certeza, seria ficar no aconchego de seu lar, ao menos alguns dias por ano.
É preciso consultar as mães e pais das crianças sobre a ação do Poder Judiciário que limita o direito da criança ao convívio familiar, impondo-lhe uma jornada educacional em janeiro, período tradicional de convívio entre a criança e sua família.
Posicione-se. Reúna sua comunidade e discuta este ataque à família e aos direito das crianças.
Procuro neste blog colocar as pedrinhas que marcam esta jornada rumo à minha formação profissional como jornalista e professora. Com elas, posso sempre voltar e repensar este caminho. Talvez caminhe sozinha, mas o mais provável é que encontre alguém caminhando também.
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segunda-feira, 21 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
MEC institui “provão” para professor – Um passo rumo à qualificação
O Ministério da Educação instituiu a prova nacional de concurso para o ingresso na carreira docente, que será realizada uma vez por ano, de forma descentralizada, em todas as unidades da Federação. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) será o responsável pela coordenação e aplicação da prova, prevista para 2012. Segundo o MEC, a participação do professor é voluntária.
Creio que este é um belo passo para começar a avaliar os profissionais. Acho, inclusive, que futuramente, isto deva ser obrigatório. Afinal, quem estiver em contínua formação, não precisará temer esta prova.
Sabemos que o Brasil engatinha quanto à formação de seus profissionais de educação. Muitos, por falta de opção ou condição, acabam estudando Pedagogia ou outra licenciatura pelo baixo custo do curso. Muitos jovens que percebem a necessidade em “fazer uma faculdade” optam por estes cursos sem realmente estarem interessados nele. A lógica é a seguinte: se eu desistir, não terei perdido tanto dinheiro, em comparação com outros cursos.
Além disto, a oferta ainda é enorme. Muitas faculdades começam com os cursos de Pedagogia e Administração, pois são cursos que (aparentemente) precisam de poucos recursos, ao contrário de Medicina, por exemplo, que requer equipamentos de última geração, elevando o custo do curso. Assim, qualquer escolinha obtém a autorização do MEC para funcionar e começa com Pedagogia. Não estou falando que as portas para novas faculdades tenham de ser fechadas. Mas é preciso maior rigor na fiscalização, pois muitas começam (e permanecem) sem condições de formar um professor.
E a última questão é a disparidade entre o aluno de Pedagogia e licenciaturas da universidade particular e o da pública. A realidade é a seguinte: quem estuda em universidade pública forma-se para pensar. Quem se forma em particular, é formado para obedecer quem pensa.
Pode parecer coisa do outro mundo, mas é o que acontece. Quantos alunos de Pedagogia da USP a gente vê dando aula, principalmente na rede pública? Os de licenciatura acabam indo para a indústria do vestibular, dando aulas em cursinhos para quem pode pagar. E quem não vai para estes lugares, fica na universidade mesmo, como pesquisador, desenvolvendo pesquisas sem nunca ter entrado em uma sala de aula.
Já o estudante de universidade particular, quer o diploma rápido para entrar no mercado de trabalho, passar em concurso público e “amarrar o burro”. Quanta diferença.
Não acho que os dois lados estejam errados. Mas acredito que para um país que garanta ensino de qualidade a todos, é imprescindível que o professor assuma sua condição de pesquisador, e o pesquisador assuma sua condição de professor. Afinal, a tão falada práxis só acontece quando estas duas coisas, teoria e prática, se unem.
Eu quero sim, estudar muito, fazer Mestrado, Doutorado, mas não passo perder de vista a sala de aula, caso contrário, serei mais uma teórica-do-mundo-da-lua ou uma praticante-de-teorias-utópicas-irrealizáveis.
Para ver a portaria e a matriz de referência, clique aqui e aqui.
Creio que este é um belo passo para começar a avaliar os profissionais. Acho, inclusive, que futuramente, isto deva ser obrigatório. Afinal, quem estiver em contínua formação, não precisará temer esta prova.
Sabemos que o Brasil engatinha quanto à formação de seus profissionais de educação. Muitos, por falta de opção ou condição, acabam estudando Pedagogia ou outra licenciatura pelo baixo custo do curso. Muitos jovens que percebem a necessidade em “fazer uma faculdade” optam por estes cursos sem realmente estarem interessados nele. A lógica é a seguinte: se eu desistir, não terei perdido tanto dinheiro, em comparação com outros cursos.
Além disto, a oferta ainda é enorme. Muitas faculdades começam com os cursos de Pedagogia e Administração, pois são cursos que (aparentemente) precisam de poucos recursos, ao contrário de Medicina, por exemplo, que requer equipamentos de última geração, elevando o custo do curso. Assim, qualquer escolinha obtém a autorização do MEC para funcionar e começa com Pedagogia. Não estou falando que as portas para novas faculdades tenham de ser fechadas. Mas é preciso maior rigor na fiscalização, pois muitas começam (e permanecem) sem condições de formar um professor.
E a última questão é a disparidade entre o aluno de Pedagogia e licenciaturas da universidade particular e o da pública. A realidade é a seguinte: quem estuda em universidade pública forma-se para pensar. Quem se forma em particular, é formado para obedecer quem pensa.
Pode parecer coisa do outro mundo, mas é o que acontece. Quantos alunos de Pedagogia da USP a gente vê dando aula, principalmente na rede pública? Os de licenciatura acabam indo para a indústria do vestibular, dando aulas em cursinhos para quem pode pagar. E quem não vai para estes lugares, fica na universidade mesmo, como pesquisador, desenvolvendo pesquisas sem nunca ter entrado em uma sala de aula.
Já o estudante de universidade particular, quer o diploma rápido para entrar no mercado de trabalho, passar em concurso público e “amarrar o burro”. Quanta diferença.
Não acho que os dois lados estejam errados. Mas acredito que para um país que garanta ensino de qualidade a todos, é imprescindível que o professor assuma sua condição de pesquisador, e o pesquisador assuma sua condição de professor. Afinal, a tão falada práxis só acontece quando estas duas coisas, teoria e prática, se unem.
Eu quero sim, estudar muito, fazer Mestrado, Doutorado, mas não passo perder de vista a sala de aula, caso contrário, serei mais uma teórica-do-mundo-da-lua ou uma praticante-de-teorias-utópicas-irrealizáveis.
Para ver a portaria e a matriz de referência, clique aqui e aqui.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Mediocridade, hipocrisia e miopia: Justiça decide que creches de SP não podem tirar férias
Baseando-se em uma visão medíocre, hipócrita e míope, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou à Prefeitura de São Paulo que mantenha as creches e pré-escolas abertas durante as férias de janeiro. Isto porque entendeu que estes locais constituem um serviço público essencial, não apenas relacionado à educação, mas à assistência social.
Ora, em um país hipócrita, que somente fala que educação é importante, mas não age para garantir uma educação de qualidade para todos, não é de se admirar que esta decisão tenha saído do tribunal do maior estado do país.
Mesmo com todos os exemplos de outros países e estudos que comprovem a importância da Educação Infantil para o desenvolvimento humano, o país, e ora, São Paulo, ainda vê esta área da Educação (sim, esta área é tão educacional ou até mais que as outras) como “assistencialista”.
Embora saibamos da realidade de nosso país, enquanto não mudarmos esta visão medíocre de que as creches só existem para as mães terem onde deixar seus filhos, não atingiremos mesmo, nem em 50 anos, a qualidade dos países desenvolvidos no que diz respeito à educação.
Embora o discurso seja um, de que a Educação Infantil faça parte da educação básica de nosso país, na prática, isto não acontece, pois desde as famílias até as instâncias superiores, a descrença causa decisões deste tipo.
Assim como qualquer nível de educação, os alunos das creches e emeis precisam, sim, de férias. Afinal, a própria Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) afirmam que a educação é um processo que ocorre na família, na escola e na sociedade. Sendo assim, as crianças precisam ter um tempo com seus pais.
Além disto, é neste período que as manutenções ocorrem, afinal, o que ficaria prejudicado, pois nem todas as reformas são possíveis com os alunos em aula.
E por último, é inaceitável que os poderosos deste país ainda vejam os professores de Educação Infantil como meros “cuidadores de crianças”. Pois é neste período que nós, profissionais cientes de nossa responsabilidade com a educação, planejamos o ano letivo, pensamos sobre nossas práticas, fazemos cursos, tendo em vista que iniciaremos e terminaremos um trabalho, junto com os alunos, pais e com a comunidade.
Não esqueço o problema dos pais que têm que trabalhar, mas por que estes mesmos pais conseguem “dar um jeito” quando seus filhos mais velhos entram de férias e não o conseguiriam com os menores?
A Prefeitura mesmo já mostrou que a demanda por creches em janeiro é muito pequena. E ainda que faltem vagas, como reclamaram os defensores públicos que atuam em São Miguel Paulista, o caminho não é generalizar.
O certo a se fazer, neste caso, é fazer um levantamento de quantas crianças precisam ser deixadas nas creches neste período, convocar profissionais que queiram trabalhar e abrir as escolas conforme a demanda.
Não podemos ser tratados como uma massa uniforme, mesmo em uma cidade com onze milhões de habitantes. Somos indivíduos e precisamos ser respeitados como tal.
Espero com muita fé que a Justiça perceba o erro que comete, e volte atrás em sua decisão. Pois...
“O homem nada mais é do que aquilo que a educação fez dele".
Emmanuel Kant
Ora, em um país hipócrita, que somente fala que educação é importante, mas não age para garantir uma educação de qualidade para todos, não é de se admirar que esta decisão tenha saído do tribunal do maior estado do país.
Mesmo com todos os exemplos de outros países e estudos que comprovem a importância da Educação Infantil para o desenvolvimento humano, o país, e ora, São Paulo, ainda vê esta área da Educação (sim, esta área é tão educacional ou até mais que as outras) como “assistencialista”.
Embora saibamos da realidade de nosso país, enquanto não mudarmos esta visão medíocre de que as creches só existem para as mães terem onde deixar seus filhos, não atingiremos mesmo, nem em 50 anos, a qualidade dos países desenvolvidos no que diz respeito à educação.
Embora o discurso seja um, de que a Educação Infantil faça parte da educação básica de nosso país, na prática, isto não acontece, pois desde as famílias até as instâncias superiores, a descrença causa decisões deste tipo.
Assim como qualquer nível de educação, os alunos das creches e emeis precisam, sim, de férias. Afinal, a própria Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) afirmam que a educação é um processo que ocorre na família, na escola e na sociedade. Sendo assim, as crianças precisam ter um tempo com seus pais.
Além disto, é neste período que as manutenções ocorrem, afinal, o que ficaria prejudicado, pois nem todas as reformas são possíveis com os alunos em aula.
E por último, é inaceitável que os poderosos deste país ainda vejam os professores de Educação Infantil como meros “cuidadores de crianças”. Pois é neste período que nós, profissionais cientes de nossa responsabilidade com a educação, planejamos o ano letivo, pensamos sobre nossas práticas, fazemos cursos, tendo em vista que iniciaremos e terminaremos um trabalho, junto com os alunos, pais e com a comunidade.
Não esqueço o problema dos pais que têm que trabalhar, mas por que estes mesmos pais conseguem “dar um jeito” quando seus filhos mais velhos entram de férias e não o conseguiriam com os menores?
A Prefeitura mesmo já mostrou que a demanda por creches em janeiro é muito pequena. E ainda que faltem vagas, como reclamaram os defensores públicos que atuam em São Miguel Paulista, o caminho não é generalizar.
O certo a se fazer, neste caso, é fazer um levantamento de quantas crianças precisam ser deixadas nas creches neste período, convocar profissionais que queiram trabalhar e abrir as escolas conforme a demanda.
Não podemos ser tratados como uma massa uniforme, mesmo em uma cidade com onze milhões de habitantes. Somos indivíduos e precisamos ser respeitados como tal.
Espero com muita fé que a Justiça perceba o erro que comete, e volte atrás em sua decisão. Pois...
“O homem nada mais é do que aquilo que a educação fez dele".
Emmanuel Kant
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Herman Voorwald planeja gestão com ampla participação da rede e reorganização do ensino
Novo Secretário de Estado da Educação adianta que as principais
decisões da Pasta serão tomadas com o envolvimento de toda a rede;
Proposta de reorganização do Ensino Fundamental e Médio, que será
formatada e apresentada ao governador terá prioridade, assim como o comprometimento e a valorização dos servidores
O novo Secretário de Estado da Educação, Herman Voorwald, recebeu o cargo destacando que a nova gestão será marcada pela priorização de questões como a valorização dos servidores, o comprometimento de todos os envolvidos - e em todas as esferas - com a Educação no Estado e, principalmente, com a implementação de um processo que garanta o aprendizado dos alunos no Ensino Fundamental e Médio. Para isso, o reconhecimento dos professores e servidores administrativos, a implementação de uma nova proposta de avaliação dos alunos e as parcerias serão pontos fundamentais. A experiência adquirida em 30 anos no setor de ensino superior da rede pública e o apoio do Governo Geraldo Alckmin serão pontos de apoio primordiais para que estes planos sejam colocados em prática, segundo avaliou o novo secretário.
“Agradeço pelo voto de confiança do governador Geraldo Alckmin, que apostou em um ex-reitor de universidade para atuar nas esferas do Ensino Fundamental e Médio. Fico orgulhoso por fazer parte de uma gestão que pretende priorizar a Educação na prática, muito além do discurso”, disse Voorwald durante a cerimônia de transmissão de cargo.
Parcerias
Para o novo secretário, o envolvimento das universidades estaduais na melhora da qualidade do ensino é possível e importante, dada a capacidade e potencial de formulação de parcerias entre Unesp, Usp e Unicamp com a Secretaria de Estado da Educação. “A excelência do setor de ensino superior foi conquistada graças à preocupação de formar bem. E esse conceito deve também ser aplicado aos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio”, destacou o Secretário.
Ainda sobre a possibilidade de estabelecer parcerias, um projeto de aproximação com a Prefeitura de São Paulo para a criação de 200 mil vagas em creches por todo o Estado também está na pauta. Em geral, a construção de creches é de responsabilidade dos municípios, mas o Governo do Estado acenou com a intenção de investir cerca de R$ 1 bilhão no setor durante a atual gestão. O Estado será responsável pela estrutura física das creches e as prefeituras pelo fornecimento de mão de obra - funcionários, educadores e professores.
De progressão continuada à reorganização do ensino
A formação dos alunos será prioridade absoluta na nova gestão e, por isso, um sistema de reorganização do ensino já está sendo planejado. Além de permitir uma avaliação individual do aprendizado dos alunos a cada semestre e, a partir dos indicadores obtidos oferecer um modelo de recuperação eficiente quando necessário, o processo permitirá que a aprovação seja baseada no conhecimento adquirido e não em um processo padrão.
“A repetência ou reprovação não solucionam as deficiências do processo de aprendizado, além de serem insuficientes para determinar a capacidade ou não de o aluno aprender. Muitas vezes a falha está no método e não no indivíduo e, por isso, uma avaliação a cada seis meses, por exemplo, pode apontar o que de fato o aluno aprendeu, além de indicar o que precisa ser suprido por meio de uma recuperação imediata”, avaliou Voorwald. Este modelo sinaliza o que pode vir a fazer parte do projeto final, que ainda será formatado, depois apresentado ao governador e discutido com toda a rede para, então, ser implementado em 2012.
Outro ponto alto da nova gestão da SEE é a valorização dos servidores. Para o Secretário, o comprometimento de todos os envolvidos na Educação, em todas as esferas, será primordial para a melhora do ensino como um todo. “Educação não se faz por portaria ou decreto; educação é gente. É ter todas as pessoas envolvidas no processo, realmente comprometidas em formar bem. Por isso, a prioridade da gestão é a valorização dos professores e todos os servidores ligados à Educação. Devemos contemplar todas as áreas da Secretaria para valorizar, sobretudo, o magistério paulista”, finalizou o novo Secretário da Educação.
decisões da Pasta serão tomadas com o envolvimento de toda a rede;
Proposta de reorganização do Ensino Fundamental e Médio, que será
formatada e apresentada ao governador terá prioridade, assim como o comprometimento e a valorização dos servidores
O novo Secretário de Estado da Educação, Herman Voorwald, recebeu o cargo destacando que a nova gestão será marcada pela priorização de questões como a valorização dos servidores, o comprometimento de todos os envolvidos - e em todas as esferas - com a Educação no Estado e, principalmente, com a implementação de um processo que garanta o aprendizado dos alunos no Ensino Fundamental e Médio. Para isso, o reconhecimento dos professores e servidores administrativos, a implementação de uma nova proposta de avaliação dos alunos e as parcerias serão pontos fundamentais. A experiência adquirida em 30 anos no setor de ensino superior da rede pública e o apoio do Governo Geraldo Alckmin serão pontos de apoio primordiais para que estes planos sejam colocados em prática, segundo avaliou o novo secretário.
“Agradeço pelo voto de confiança do governador Geraldo Alckmin, que apostou em um ex-reitor de universidade para atuar nas esferas do Ensino Fundamental e Médio. Fico orgulhoso por fazer parte de uma gestão que pretende priorizar a Educação na prática, muito além do discurso”, disse Voorwald durante a cerimônia de transmissão de cargo.
Parcerias
Para o novo secretário, o envolvimento das universidades estaduais na melhora da qualidade do ensino é possível e importante, dada a capacidade e potencial de formulação de parcerias entre Unesp, Usp e Unicamp com a Secretaria de Estado da Educação. “A excelência do setor de ensino superior foi conquistada graças à preocupação de formar bem. E esse conceito deve também ser aplicado aos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio”, destacou o Secretário.
Ainda sobre a possibilidade de estabelecer parcerias, um projeto de aproximação com a Prefeitura de São Paulo para a criação de 200 mil vagas em creches por todo o Estado também está na pauta. Em geral, a construção de creches é de responsabilidade dos municípios, mas o Governo do Estado acenou com a intenção de investir cerca de R$ 1 bilhão no setor durante a atual gestão. O Estado será responsável pela estrutura física das creches e as prefeituras pelo fornecimento de mão de obra - funcionários, educadores e professores.
De progressão continuada à reorganização do ensino
A formação dos alunos será prioridade absoluta na nova gestão e, por isso, um sistema de reorganização do ensino já está sendo planejado. Além de permitir uma avaliação individual do aprendizado dos alunos a cada semestre e, a partir dos indicadores obtidos oferecer um modelo de recuperação eficiente quando necessário, o processo permitirá que a aprovação seja baseada no conhecimento adquirido e não em um processo padrão.
“A repetência ou reprovação não solucionam as deficiências do processo de aprendizado, além de serem insuficientes para determinar a capacidade ou não de o aluno aprender. Muitas vezes a falha está no método e não no indivíduo e, por isso, uma avaliação a cada seis meses, por exemplo, pode apontar o que de fato o aluno aprendeu, além de indicar o que precisa ser suprido por meio de uma recuperação imediata”, avaliou Voorwald. Este modelo sinaliza o que pode vir a fazer parte do projeto final, que ainda será formatado, depois apresentado ao governador e discutido com toda a rede para, então, ser implementado em 2012.
Outro ponto alto da nova gestão da SEE é a valorização dos servidores. Para o Secretário, o comprometimento de todos os envolvidos na Educação, em todas as esferas, será primordial para a melhora do ensino como um todo. “Educação não se faz por portaria ou decreto; educação é gente. É ter todas as pessoas envolvidas no processo, realmente comprometidas em formar bem. Por isso, a prioridade da gestão é a valorização dos professores e todos os servidores ligados à Educação. Devemos contemplar todas as áreas da Secretaria para valorizar, sobretudo, o magistério paulista”, finalizou o novo Secretário da Educação.
domingo, 5 de setembro de 2010
Remo contra a maré: quero ser professora, Dimenstein!!!
Esta semana foi publicada uma pesquisa que mostra que menos de 2% dos jovens querem ser professores. Gilberto Dimenstein escreveu para a Folha sobre o assunto.
Em seu texto, ele afirma, também baseado em pesquisas, que os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas, sendo que quase 90% são de escolas públicas.
“Portanto, o curso de licenciatura e pedagogia é, para muitos, a opção de quem não tem opção. O resto é apenas consequência”, ele afirma.
Já remei contra a maré algumas vezes: casei cedo, fiz jornalismo (profissão saturada, diziam para mim). Agora, mais uma vez, preparo-me para remar contra a maré.
Não sou desqualificada e tive outras opções, mas no momento, o que quero é ser professora.
Aliás, o que sempre quis, desde que comecei a ler, desde que peguei na caneta pela primeira vez, desde que nasci, pois sempre convivi com uma professora que remava, e rema contra a maré: minha mãe.
Sempre vi sua dedicação. Ela foi minha primeira professora. Ensinou-me a ler da maneira mais construtivista possível, quando este termo nem era tão usado. Tinha quatro para cinco anos quando comecei a unir as letras.
Sempre quis imitá-la. Era uma das únicas crianças que gostava (mesm0) de brincar de escolinha. Ah…eu sempre era a professora.
Outra coisa que sempre me acompanhou: a escrita. Quando não brincava de escolinha, boneca, carrinho, parava para fazer livros. Isto mesmo: fazer. Pegava folhas, grampeava e começava a escrever. Escrevia histórias já conhecidas, como a Dama e o Vagabundo e Chapeuzinho Vermelho. Depois, comecei a inventar minhas próprias histórias. Pena que, assim como as brincadeiras, os livros ficaram na memória. Perdi quase todos.
Mas aí cresci, conheci outras coisas, principalmente minha rebeldia. “Caramba…com tanta profissão no mundo vou escolher justo a da minha mãe?!”, pensava.
Achava que estaria vivendo sua vida. Achei que não poderia aceitar o que achava ser mais fácil, já que convivi com o magistério toda minha vida.
Fui para a outra área que amava: jornalismo (porque amava, e amo escrever).
Hoje, no entanto, já tendo sido professora e jornalista, busco unir minhas paixões. Agora qua já sou jornalista, quero voltar a ser professora.
Descobri que o magistério não é fácil, nem será fácil para mim porque magistério nunca foi fácil. Estes últimos tempos, então, nem se fala. Ser professor é aceitar o desafio de ser desmoralizado todos os dias, pelo mal trabalho dos outros. É também aceitar suas próprias limitações. Ser professor (de verdade), é buscar a utopia: a transformação da sociedade.
Quando saí da escola em que trabalhava falei: “vou pro lado de lá. Se não gostar, volto”. Estou voltando. Não porque não gostei de jornalismo. Mas porque quero os dois.
Minha vida é unica e devo vivê-la intensamente: como jornalista e professora. Esta é minha vocação. Esta é minha paixão. Danem-se as pesquisas!!!
Em seu texto, ele afirma, também baseado em pesquisas, que os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas, sendo que quase 90% são de escolas públicas.
“Portanto, o curso de licenciatura e pedagogia é, para muitos, a opção de quem não tem opção. O resto é apenas consequência”, ele afirma.
Já remei contra a maré algumas vezes: casei cedo, fiz jornalismo (profissão saturada, diziam para mim). Agora, mais uma vez, preparo-me para remar contra a maré.
Não sou desqualificada e tive outras opções, mas no momento, o que quero é ser professora.
Aliás, o que sempre quis, desde que comecei a ler, desde que peguei na caneta pela primeira vez, desde que nasci, pois sempre convivi com uma professora que remava, e rema contra a maré: minha mãe.
Sempre vi sua dedicação. Ela foi minha primeira professora. Ensinou-me a ler da maneira mais construtivista possível, quando este termo nem era tão usado. Tinha quatro para cinco anos quando comecei a unir as letras.
Sempre quis imitá-la. Era uma das únicas crianças que gostava (mesm0) de brincar de escolinha. Ah…eu sempre era a professora.
Outra coisa que sempre me acompanhou: a escrita. Quando não brincava de escolinha, boneca, carrinho, parava para fazer livros. Isto mesmo: fazer. Pegava folhas, grampeava e começava a escrever. Escrevia histórias já conhecidas, como a Dama e o Vagabundo e Chapeuzinho Vermelho. Depois, comecei a inventar minhas próprias histórias. Pena que, assim como as brincadeiras, os livros ficaram na memória. Perdi quase todos.
Mas aí cresci, conheci outras coisas, principalmente minha rebeldia. “Caramba…com tanta profissão no mundo vou escolher justo a da minha mãe?!”, pensava.
Achava que estaria vivendo sua vida. Achei que não poderia aceitar o que achava ser mais fácil, já que convivi com o magistério toda minha vida.
Fui para a outra área que amava: jornalismo (porque amava, e amo escrever).
Hoje, no entanto, já tendo sido professora e jornalista, busco unir minhas paixões. Agora qua já sou jornalista, quero voltar a ser professora.
Descobri que o magistério não é fácil, nem será fácil para mim porque magistério nunca foi fácil. Estes últimos tempos, então, nem se fala. Ser professor é aceitar o desafio de ser desmoralizado todos os dias, pelo mal trabalho dos outros. É também aceitar suas próprias limitações. Ser professor (de verdade), é buscar a utopia: a transformação da sociedade.
Quando saí da escola em que trabalhava falei: “vou pro lado de lá. Se não gostar, volto”. Estou voltando. Não porque não gostei de jornalismo. Mas porque quero os dois.
Minha vida é unica e devo vivê-la intensamente: como jornalista e professora. Esta é minha vocação. Esta é minha paixão. Danem-se as pesquisas!!!
sábado, 31 de julho de 2010
Ediouro lança "Coquetel Conhecer"
A Ediouro lança, em 30 de julho, a primeira revista de passatempos destinada a estudantes que estão se preparando para o vestibular e para o ENEM. Coquetel Conhecer aborda temas contemporâneos de forma interdisciplinar por meio de jogos que reforçam os conceitos aprendidos em sala de aula. Além disso, a revista ainda traz uma seção dedicada à carreira, na qual um profissional bem sucedido fala sobre o curso universitário e as perspectivas do mercado de trabalho para determinada profissão.
Bernadette Caldas, gerente de marketing do Grupo Coquetel, espera que o título se torne um sucesso. "Todas as publicações existentes no mercado hoje são muito didáticas. Coquetel Conhecer é a única que auxilia no estudo de foram descontraída", afirma. Bernadette ainda pede atenção na exposição do título: "como é destinada a estudantes, a revista deve ser exposta no segmento de educação".
Preço: R$ 1,90 (primeira edição) e R$ 3,90 (demais edições)
Governo de São Paulo vai pagar bolsa para aluno que ajudar outro
Achei a ideia interessante, principalmente porque os alunos serão da rede pública. Já vi filmes norte-americanos que alunos de escolas boas tinham que atravessar a cidade para ajudar outros, de escolas pobres e ruins, como forma de "castigo".
Segundo a Folha, Os monitores virão do 2º ano do ensino médio e os pupilos, do 6º e 7º anos. Serão selecionados com base em notas no Saresp (exame estadual) e boletins escolares. Os monitores ganharão R$ 115 como bolsa-auxílio.
Creio que se o aluno for da escola, melhor ainda, pois ambos vivem a mesma realidade. Vamos ver se na prática, vai funcionar!
Também acho que isto deveria ser colocado no histórico do aluno, pois, se um dia, o sistema injusto do vestibular mudar, esta ajuda dada aos menores pode contar pontos para o jovem que ajudou.
Segundo a Folha, Os monitores virão do 2º ano do ensino médio e os pupilos, do 6º e 7º anos. Serão selecionados com base em notas no Saresp (exame estadual) e boletins escolares. Os monitores ganharão R$ 115 como bolsa-auxílio.
Creio que se o aluno for da escola, melhor ainda, pois ambos vivem a mesma realidade. Vamos ver se na prática, vai funcionar!
Também acho que isto deveria ser colocado no histórico do aluno, pois, se um dia, o sistema injusto do vestibular mudar, esta ajuda dada aos menores pode contar pontos para o jovem que ajudou.
domingo, 25 de julho de 2010
Educação do amanhã substitui a padronização pela criatividade e troca o foco no currículo pela atenção ao aprendiz, no Estadão
Oi, gente
Tem uma entrevista no Estadão de hoje muito interessante. Fala sobre como devemos educar hoje, e mostra que priorizar currículo não está mais na pauta (graças a Deus), e sim, ter o foco no aprendiz.
Confira em http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-equacao-do-futuro,585618,0.htm
Tem uma entrevista no Estadão de hoje muito interessante. Fala sobre como devemos educar hoje, e mostra que priorizar currículo não está mais na pauta (graças a Deus), e sim, ter o foco no aprendiz.
Confira em http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-equacao-do-futuro,585618,0.htm
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Aumenta número de alunos na pré-escola e no ensino médio em 20 anos do ECA
da Agência Brasil
Os números da educação apresentaram mudanças positivas após 20 anos da aprovação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Atualmente, cerca de 7 milhões de crianças estão matriculadas na pré-escola, o que representa quase o dobro dos 3.628.285 alunos que frequentavam esta etapa do ensino em 1991.
O número de alunos da pré-escola aumentou mais significativamente nas regiões Centro-Oeste e Norte. As duas tiveram crescimento de mais de 100% no número de estudantes matriculados. A quantidade subiu de 176 mil para 413 mil alunos e de 213 mil para 559 mil, respectivamente.
No ensino médio, o número de estudantes matriculados é mais do que o dobro do total registrado em 1991. Naquele ano, eram 3.772.689 alunos nessa fase e, agora, são 8.288.520. No ensino fundamental, a quantidade de alunos teve um ligeiro aumento, passando de 29.203.724 para 31.512.884. Os dados são do Censo Escolar, do Ministério da Educação, e referem-se a levantamentos dos anos de 1991 e 2009.
Os números da educação apresentaram mudanças positivas após 20 anos da aprovação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Atualmente, cerca de 7 milhões de crianças estão matriculadas na pré-escola, o que representa quase o dobro dos 3.628.285 alunos que frequentavam esta etapa do ensino em 1991.
O número de alunos da pré-escola aumentou mais significativamente nas regiões Centro-Oeste e Norte. As duas tiveram crescimento de mais de 100% no número de estudantes matriculados. A quantidade subiu de 176 mil para 413 mil alunos e de 213 mil para 559 mil, respectivamente.
No ensino médio, o número de estudantes matriculados é mais do que o dobro do total registrado em 1991. Naquele ano, eram 3.772.689 alunos nessa fase e, agora, são 8.288.520. No ensino fundamental, a quantidade de alunos teve um ligeiro aumento, passando de 29.203.724 para 31.512.884. Os dados são do Censo Escolar, do Ministério da Educação, e referem-se a levantamentos dos anos de 1991 e 2009.
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
Cristovam diz que Ideb reprovou educação e propõe federalização do ensino fundamental

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou nesta quinta-feira (8) que o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) - cuja nota ficou em 4,6 - é uma demonstração de que a educação brasileira está reprovada.
- Eu não vejo o presidente da República convocar ministros para saber por que ficamos em 85º [em ranking da Unesco] na educação, quando saiu esse resultado. Nós não fomos reprovados em futebol, apenas não ficamos entre os primeiros. Mas nós fomos reprovados na educação, e temos que ter uma proposta para sair disso.
Eu gostaria de ver este Senado, nos próximos anos, debatendo como o Brasil poderá reverter esse quadro - conclamou.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou na última quinta-feira (1º) o Ideb de 2009. São dados que medem o aprendizado e a taxa de aprovação de mais de 2,6 milhões de estudantes de todo o país no ensino fundamental e no ensino médio.
Como solução para o problema, o senador propõe que o Brasil adote a federalização do ensino fundamental e da carreira dos professores, porém com a descentralização da gestão e do projeto pedagógico.
- Nós só vamos conseguir ter uma educação de qualidade e qualidade igualitária no país quando tratarmos a escola como nós tratamos o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, como nós tratamos a Receita Federal, a Polícia Federal, o Congresso, a Justiça, de uma maneira que os gastos sejam financiados nacionalmente, pela nação, e as exigências sejam feitas pela Nação, não apenas localmente pelos municípios e pelos estados- propôs.
Situação grave
Cristovam disse que o quadro na educação brasileira pode ser ainda "mais grave", apontando para uma nota de 3,5, se for levado em conta o número de alunos que abandonam a escola. A nota obtida pelo Ideb é, na sua avaliação, uma "nota de aprovação deficiente", por ser próxima a 5. Incluída a evasão, a reprovação é "desesperante", disse o senador, por revelar um quadro em que o Brasil demonstra incapacidade para continuar estudando.
Cristovam comparou a educação brasileira com a europeia, com muitos anos de investimento, o que, segundo ele, levou à atual situação de desenvolvimento baseado em tecnologia do conhecimento. Para ele, o Brasil, diferentemente, tem uma economia industrial básica, mecânica e agrícola. Porém, Cristovam insistiu que os parlamentares na próxima legislatura priorizem a discussão da escola que se quer para o futuro.
Apartes
Heráclito Fortes (DEM-PI), ao comentar o resultado do Ideb, lamentou que o Piauí tenha recebido a pior nota no ensino médio, em contraste com a capital Teresina, que segundo ele teve o melhor desempenho do Nordeste. Criticou a utilização "eleitoreira" do cargo de secretário da educação e sugeriu período de quarentena para cargos eletivos para quem ocupar essa pasta na esfera estadual. Nesse sentido, Cristovam considerou que a federalização da profissão de professor é a melhor solução para a questão.
Por sua vez, o senador Arthur Virgílio criticou a praxe de se considerar o professor "sacerdote" para justificar baixos salários. Citou a Coreia do Sul como exemplo de país que investiu maciçamente em educação e, com isso, ultrapassou o Brasil em renda per capita, tornando-se país exportador de produtos de alta tecnologia.
Potencialidades
Ao se referir a um comentário de Arthur Virgílio sobre a possibilidade de o Brasil se tornar uma potência por ter um conjunto de potencialidades que outros países latino-americanos não possuem, Cristovam lamentou que falta ao país a principal delas, a educação, "capacidade que unifica todas as outras. Para Cristovam, o Brasil só se tornará uma potência se tiver capital humano habilitado a manejar equipamentos e aparatos modernos. O senador salientou que a educação é o elemento alavancador do crescimento sustentável.
Da Redação / Agência Senado
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Senado aprova lei que obriga ensino superior a professores de educação básica
Por Marcos Chagas, da Agência Brasil
A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta terça (6) projeto de lei que obriga a formação universitária para professores da educação básica. A proposta aprovada pela comissão estabelece um prazo de seis anos para que os docentes sem nível superior possam continuar a exercer seus trabalhos nas escolas da rede pública.
Como foi aprovado pela comissão um pedido de urgência na tramitação, a matéria será remetida direto para a análise em plenário. Se aprovado seguirá para a sanção presidencial. O projeto altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), que não previa a necessidade de curso superior para esse caso.
A relatora Fátima Cleide (PT-RO) incorporou ao seu substitutivo algumas sugestões feitas pelo Ministério da Educação. Assim, a proposta analisada pelo Senado prevê a exigência de avaliação qualificada de nota mínima no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para os candidatos aos cursos superiores de formação docente.
Também foi incorporado ao projeto a concessão de bolsas de iniciação à docência para universitários de cursos de licenciatura. A relatora explica que a iniciativa é um incentivo para a formação de profissionais do magistério que venham a atuar na educação básica da rede pública.
Pois é...por isto que já estou correndo atrás de minha graduação, ainda que o Magistério no CEFAM tenha sido mil vezes melhor do que qualquer faculdade.
Para ler o parecer, clique aqui.
A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta terça (6) projeto de lei que obriga a formação universitária para professores da educação básica. A proposta aprovada pela comissão estabelece um prazo de seis anos para que os docentes sem nível superior possam continuar a exercer seus trabalhos nas escolas da rede pública.
Como foi aprovado pela comissão um pedido de urgência na tramitação, a matéria será remetida direto para a análise em plenário. Se aprovado seguirá para a sanção presidencial. O projeto altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), que não previa a necessidade de curso superior para esse caso.
A relatora Fátima Cleide (PT-RO) incorporou ao seu substitutivo algumas sugestões feitas pelo Ministério da Educação. Assim, a proposta analisada pelo Senado prevê a exigência de avaliação qualificada de nota mínima no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para os candidatos aos cursos superiores de formação docente.
Também foi incorporado ao projeto a concessão de bolsas de iniciação à docência para universitários de cursos de licenciatura. A relatora explica que a iniciativa é um incentivo para a formação de profissionais do magistério que venham a atuar na educação básica da rede pública.
Pois é...por isto que já estou correndo atrás de minha graduação, ainda que o Magistério no CEFAM tenha sido mil vezes melhor do que qualquer faculdade.
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Cerca de 10% da rede pública sofrem com transtornos mentais
O Jornal da Tarde publicou com exclusividade, baseado em dados da Secretaria de Gestão e Desburocratização que 10 % dos professores sofrem com transtornos mentais ou comportamentais.
Segundo o jornal, o estudo aponta o crescimento dos problemas psiquiátricos entre os professores. Dos 16 mil professores afastados no ano passado por problemas de saúde, 30% foram por transtornos mentais. Em 1999, esses transtornos eram responsáveis por cerca de 16% dos afastamentos.
O que falar diante deste problema? O que falar, não sei. O que perguntar, muitas coisas.
Será que todos estes professores estão realmente com problemas?
Por que isto acontece? Falta de preparo?
O que acontece com os alunos? Há professores substitutos para eles?
O que poderia ser feito?
Como futura professora da rede municipal, olho com receio estes dados. É este o futuro que me aguarda? Será que estes professores foram aqueles que se mataram para mudar a realidade ou são oportunistas em busca de licenças-médicas para ganhar e não trabalhar?
Falo isto porque conheço alguns casos assim. E isto me preocupa mais ainda. Se um profissional se sujeita a passar como doente porque não aguenta a sala de aula, o que será dos nossos alunos? Da sociedade?
Torço para que se recuperem e para que aqueles que mentem, sejam descobertos. Quanto a mim, espero fazer diferença e não fazer parte desta estatística.n
Segundo o jornal, o estudo aponta o crescimento dos problemas psiquiátricos entre os professores. Dos 16 mil professores afastados no ano passado por problemas de saúde, 30% foram por transtornos mentais. Em 1999, esses transtornos eram responsáveis por cerca de 16% dos afastamentos.
O que falar diante deste problema? O que falar, não sei. O que perguntar, muitas coisas.
Será que todos estes professores estão realmente com problemas?
Por que isto acontece? Falta de preparo?
O que acontece com os alunos? Há professores substitutos para eles?
O que poderia ser feito?
Como futura professora da rede municipal, olho com receio estes dados. É este o futuro que me aguarda? Será que estes professores foram aqueles que se mataram para mudar a realidade ou são oportunistas em busca de licenças-médicas para ganhar e não trabalhar?
Falo isto porque conheço alguns casos assim. E isto me preocupa mais ainda. Se um profissional se sujeita a passar como doente porque não aguenta a sala de aula, o que será dos nossos alunos? Da sociedade?
Torço para que se recuperem e para que aqueles que mentem, sejam descobertos. Quanto a mim, espero fazer diferença e não fazer parte desta estatística.n
terça-feira, 6 de julho de 2010
Serra é o candidato de Lula?
Por Gilberto Dimenstein
Foram divulgados, na quinta-feira passada, em meio a um emaranhado de números e conceitos, os resultados da qualidade da educação no Brasil (Ideb). Sua melhor e mais simples tradução estava num detalhe da pesquisa do Datafolha sobre a eleição presidencial, divulgada no dia seguinte. Apesar do intenso bombardeio nos mais variados meios de comunicação, 1 em cada 5 eleitores não sabe quem é o candidato de Lula - alguns, aliás, acham que os preferidos do presidente são José Serra e Marina Silva.
Se 20% desconhecem que Dilma Rousseff é a candidata oficial, imagine quantos entendem as propostas dos candidatos. A imensa maioria, mesmo nas classes mais ricas, não conhece o nome dos ministros, muito menos seus programas. A percepção é baseada em imagens, emoções e senso comum.
Poucos alunos do ensino médio saberiam dizer que a proporção 1 em cada 5 equivale a 20%. Tampouco identificariam a ideia mais importante de cada parágrafo deste texto. Isso é o que representa a média 3,6 alcançada por aqueles estudantes -ou o fato de apenas 1% deles ter atingido o nível avançado.
Mais importante do que a nota de português e matemática, a principal base do cálculo do índice de qualidade de ensino são as consequências práticas do aprendizado. Não se educa para fazer provas, mas para propiciar autonomia na vida.
Lideranças empresariais, que estão aprendendo a ler as estatísticas educacionais (antes restritas a pedagogos), traduzem os dados divulgados na quinta-feira olhando para seus negócios. Não saber que 20% significam 1 em cada 5 ou não localizar a informação mais importante de um texto significa falta de trabalhador qualificado, portanto menos chance de expandir a produção e ampliar os lucros.
Daí o consenso nacional sobre o ensino técnico. Só que o trabalho é apenas uma dimensão da cidadania. Existe também o direito de usufruir das riquezas culturais, científicas e tecnológicas da humanidade.
Muitas vezes, por não estarem conscientes dessa obviedade, as escolas empanturram os currículos com inutilidades, propagadas apenas pela tradição. Não deveria surpreender a taxa de evasão ou o desinteresse, especialmente nas redes oficiais.
Trabalhando com educação e comunicação em escolas e projetos sociais, aprendi que um dos melhores jeitos de seduzir estudantes é usar a notícia como matéria-prima e associá-la ao currículo. Uma eleição consegue se transformar numa rica fonte de provocações e curiosidades.
Não bastam projetos esparsos para explicar as notícias nas escolas. A realidade deve pautar diariamente os professores, convidados a estabelecer relações para transformar informação em conhecimento.
Não estou propondo que se joguem fora os livros didáticos, mas que eles sejam encaixados no cotidiano. Por que não aprender matemática com os gráficos de uma pesquisa eleitoral e português com as falas ou os artigos dos candidatos?
Quanto mais pobres os alunos, mais cabe às escolas fazer essa conexão - afinal, muitos deles vêm de famílias com baixo repertório cultural. Doutor em economia pela Universidade de Londres e professor da USP, Naércio Menezes Filho tem mergulhado nos resultados das provas, tentando descobrir as razões do sucesso e do fracasso escolar. Para ele, 70% do desempenho está relacionado a fatores externos à escola, sobretudo à base familiar.
Pais mais educados conseguem fazer a lição de casa com os filhos, levá-los a médicos, a museus, a teatros ou a cinemas, proporcionar-lhes viagens, apresentá-los a livros, jornais e revistas, oferecer-lhes internet com banda larga. Também são explicadores de notícias. Em casa, conversam sobre questões sociais, econômicas e políticas.
Sei que as escolas públicas ainda requerem muitas coisas básicas, a começar de professores com boa formação, mas, para ter um índice educacional de verdade, é preciso medir quantos conseguem um bom emprego ou entendem um debate eleitoral.
Ninguém tem um mínimo de autonomia se estiver desempregado ou se não puder compreender o que os governantes fazem com sua vida.
PS - Não deixo de reconhecer os avanços, expressos pelo Ideb, divulgados na semana passada. Um deles é a percepção de que a juventude é uma questão central e, sem tornar o ensino médio mais útil e atrativo, não há civilidade possível.
Portal Aprendiz
Foram divulgados, na quinta-feira passada, em meio a um emaranhado de números e conceitos, os resultados da qualidade da educação no Brasil (Ideb). Sua melhor e mais simples tradução estava num detalhe da pesquisa do Datafolha sobre a eleição presidencial, divulgada no dia seguinte. Apesar do intenso bombardeio nos mais variados meios de comunicação, 1 em cada 5 eleitores não sabe quem é o candidato de Lula - alguns, aliás, acham que os preferidos do presidente são José Serra e Marina Silva.
Se 20% desconhecem que Dilma Rousseff é a candidata oficial, imagine quantos entendem as propostas dos candidatos. A imensa maioria, mesmo nas classes mais ricas, não conhece o nome dos ministros, muito menos seus programas. A percepção é baseada em imagens, emoções e senso comum.
Poucos alunos do ensino médio saberiam dizer que a proporção 1 em cada 5 equivale a 20%. Tampouco identificariam a ideia mais importante de cada parágrafo deste texto. Isso é o que representa a média 3,6 alcançada por aqueles estudantes -ou o fato de apenas 1% deles ter atingido o nível avançado.
Mais importante do que a nota de português e matemática, a principal base do cálculo do índice de qualidade de ensino são as consequências práticas do aprendizado. Não se educa para fazer provas, mas para propiciar autonomia na vida.
Lideranças empresariais, que estão aprendendo a ler as estatísticas educacionais (antes restritas a pedagogos), traduzem os dados divulgados na quinta-feira olhando para seus negócios. Não saber que 20% significam 1 em cada 5 ou não localizar a informação mais importante de um texto significa falta de trabalhador qualificado, portanto menos chance de expandir a produção e ampliar os lucros.
Daí o consenso nacional sobre o ensino técnico. Só que o trabalho é apenas uma dimensão da cidadania. Existe também o direito de usufruir das riquezas culturais, científicas e tecnológicas da humanidade.
Muitas vezes, por não estarem conscientes dessa obviedade, as escolas empanturram os currículos com inutilidades, propagadas apenas pela tradição. Não deveria surpreender a taxa de evasão ou o desinteresse, especialmente nas redes oficiais.
Trabalhando com educação e comunicação em escolas e projetos sociais, aprendi que um dos melhores jeitos de seduzir estudantes é usar a notícia como matéria-prima e associá-la ao currículo. Uma eleição consegue se transformar numa rica fonte de provocações e curiosidades.
Não bastam projetos esparsos para explicar as notícias nas escolas. A realidade deve pautar diariamente os professores, convidados a estabelecer relações para transformar informação em conhecimento.
Não estou propondo que se joguem fora os livros didáticos, mas que eles sejam encaixados no cotidiano. Por que não aprender matemática com os gráficos de uma pesquisa eleitoral e português com as falas ou os artigos dos candidatos?
Quanto mais pobres os alunos, mais cabe às escolas fazer essa conexão - afinal, muitos deles vêm de famílias com baixo repertório cultural. Doutor em economia pela Universidade de Londres e professor da USP, Naércio Menezes Filho tem mergulhado nos resultados das provas, tentando descobrir as razões do sucesso e do fracasso escolar. Para ele, 70% do desempenho está relacionado a fatores externos à escola, sobretudo à base familiar.
Pais mais educados conseguem fazer a lição de casa com os filhos, levá-los a médicos, a museus, a teatros ou a cinemas, proporcionar-lhes viagens, apresentá-los a livros, jornais e revistas, oferecer-lhes internet com banda larga. Também são explicadores de notícias. Em casa, conversam sobre questões sociais, econômicas e políticas.
Sei que as escolas públicas ainda requerem muitas coisas básicas, a começar de professores com boa formação, mas, para ter um índice educacional de verdade, é preciso medir quantos conseguem um bom emprego ou entendem um debate eleitoral.
Ninguém tem um mínimo de autonomia se estiver desempregado ou se não puder compreender o que os governantes fazem com sua vida.
PS - Não deixo de reconhecer os avanços, expressos pelo Ideb, divulgados na semana passada. Um deles é a percepção de que a juventude é uma questão central e, sem tornar o ensino médio mais útil e atrativo, não há civilidade possível.
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Bullying: marcas de violência na escola
Por Lídia Weber
A escola pode ser um lugar muito hostil para crianças e adolescentes, não somente pelas notas vermelhas, mas pelas relações interpessoais negativas (intimidação, assédio, humilhação) que ocorrem com colegas e até com professores e funcionários. Essas relações nocivas dentro da escola são atualmente estudadas pela Psicologia e conhecidas pelo termo inglês bullying: quando alguém faz ou diz algo negativo de forma sistemática para ter poder sobre outra pessoa. Esse tipo de provocação pode ser físico (bater, puxar, beliscar, assediar sexualmente etc.) ou relacional (fofocar, excluir alguém do grupo, humilhar, provocar etc.; pode ocorrer em confronto direto ou por meio eletrônico (cyber bullying), tais como, ofensas postadas em sites de relacionamento, mensagens agressivas no celular, montagem de fotos e vídeos e mentiras espalhadas por correio eletrônico.
O bullying é um fenômeno completo e envolve três grupos de estudantes: agressores, vítimas e espectadores. Apesar de existirem similaridades entre os membros de cada grupo, existem ainda muitos subgrupos diferentes. Por exemplo, existem os agressores ativos e os passivos. Os ativos fazem parte do tipo mais comum e geralmente são fortes, hostis, impulsivos, coercitivos, confiantes e demonstram total falta de empatia com suas vítimas. Esses estudantes tendem a ser populares nos anos escolares iniciais e, por serem admirados, tem uma boa autoestima. Esse comportamento agressivo pode perdurar ao longo da vida. Os agressores passivos não tem tanta confiança, são inseguros, menos populares, tem baixa autoestima e poucas qualidades desejáveis. Geralmente tem dificuldades na escola e comportamento destemperado o que leva a problemas com seus colegas. Esse tipo não inicia o comportamento agressivo, mas apóia com entusiasmo quando ele ocorre e mostra total lealdade aos agressores. Existem ainda as vítimas-agressivas, são estudantes que sofreram provocações sérias e passam a agredir aqueles que são física ou psicologicamente mais fracos; geralmente são impopulares e tem maior chance de apresentarem ansiedade e depressão.
Os provocadores não atacam seus colegas de modo aleatório, ao contrário, tendem a perseguir alguns de maneira sistemática. As pesquisas descrevem diferentes tipos de vítimas: vítima-passiva, vítima-provocativa e a vítima-agressiva, já descrita acima. A vítima-passiva não provoca diretamente e faz parte do maior grupo de crianças intimidadas; geralmente são crianças tímidas, ansiosas, medrosas, com autoconceito pobre e com poucos amigos, sendo alvos fáceis para os agressores ativos que detectam facilmente a vulnerabilidade. A vítima-provocativa é aquele estudante que se comporta de maneira a desorganizar a classe: não para quieto, tem comportamento irritadiço, hostil, dominante e agressivo, baixa tolerância à frustração e sente-se rejeitado por outros, com baixa autoestima.
Em pesquisas realizadas pelo Núcleo de Análise do Comportamento do Departamento de Psicologia e pelo programa de Pós-graduação em Educação (UFPR), os dados revelam que os meninos apresentam maior freqüência de agressões e de vitimização. Alunos de escolas particulares relatam maior frequência de agressão direta enquanto os alunos das escolas públicas apresentaram maior média na agressão relacional. É preciso levar em conta não apenas a distinção entre escola pública e particular, mas o quanto cada escola está empenhada em combater e prevenir este comportamento. Muitas escolas nada fazem porque simplesmente consideram esse fenômeno como algo normal no comportamento de crianças e adolescentes.
Esse é um fenômeno que não pode ser ignorado pelas escolas nem pela família. Nossas pesquisas revelam, de maneira, inequívoca, uma relação significativa entre o “clima familiar” e agressão e vitimização sofrida na escola. De modo geral, adolescentes provenientes de famílias que apresentam clima positivo (alto envolvimento e relacionamento afetivo, regras e limites claros, comunicação positiva, clima conjugal positivo e pais que se apresentam como modelos positivos) envolvem-se menos com bullying, tanto como agressores quanto como vítimas. Por outro lado, maior frequência de agressores e de vítimas vem de lares no qual o clima familiar apresenta vários fatores de risco, tais como uso de punição corporal, conflito familiar, abuso verbal, ausência de regras e monitoria, baixo envolvimento e clima conjugal negativo.
Assim, nota-se que o bullying não é apenas um fenômeno escolar, pois existe uma forte ligação entre o que ocorre na da família e as relações de crianças e adolescentes com seus colegas. Em um contexto atual complexo, violento, egoísta e pouco empático, é preciso atenção mais específica, sistemática e preventiva para a família e a escola, pois os efeitos psicológicos do bullying, tanto para os agressores quanto vítimas, são nefastos e duradouros.
(Envolverde/UnB Agência)
A escola pode ser um lugar muito hostil para crianças e adolescentes, não somente pelas notas vermelhas, mas pelas relações interpessoais negativas (intimidação, assédio, humilhação) que ocorrem com colegas e até com professores e funcionários. Essas relações nocivas dentro da escola são atualmente estudadas pela Psicologia e conhecidas pelo termo inglês bullying: quando alguém faz ou diz algo negativo de forma sistemática para ter poder sobre outra pessoa. Esse tipo de provocação pode ser físico (bater, puxar, beliscar, assediar sexualmente etc.) ou relacional (fofocar, excluir alguém do grupo, humilhar, provocar etc.; pode ocorrer em confronto direto ou por meio eletrônico (cyber bullying), tais como, ofensas postadas em sites de relacionamento, mensagens agressivas no celular, montagem de fotos e vídeos e mentiras espalhadas por correio eletrônico.
O bullying é um fenômeno completo e envolve três grupos de estudantes: agressores, vítimas e espectadores. Apesar de existirem similaridades entre os membros de cada grupo, existem ainda muitos subgrupos diferentes. Por exemplo, existem os agressores ativos e os passivos. Os ativos fazem parte do tipo mais comum e geralmente são fortes, hostis, impulsivos, coercitivos, confiantes e demonstram total falta de empatia com suas vítimas. Esses estudantes tendem a ser populares nos anos escolares iniciais e, por serem admirados, tem uma boa autoestima. Esse comportamento agressivo pode perdurar ao longo da vida. Os agressores passivos não tem tanta confiança, são inseguros, menos populares, tem baixa autoestima e poucas qualidades desejáveis. Geralmente tem dificuldades na escola e comportamento destemperado o que leva a problemas com seus colegas. Esse tipo não inicia o comportamento agressivo, mas apóia com entusiasmo quando ele ocorre e mostra total lealdade aos agressores. Existem ainda as vítimas-agressivas, são estudantes que sofreram provocações sérias e passam a agredir aqueles que são física ou psicologicamente mais fracos; geralmente são impopulares e tem maior chance de apresentarem ansiedade e depressão.
Os provocadores não atacam seus colegas de modo aleatório, ao contrário, tendem a perseguir alguns de maneira sistemática. As pesquisas descrevem diferentes tipos de vítimas: vítima-passiva, vítima-provocativa e a vítima-agressiva, já descrita acima. A vítima-passiva não provoca diretamente e faz parte do maior grupo de crianças intimidadas; geralmente são crianças tímidas, ansiosas, medrosas, com autoconceito pobre e com poucos amigos, sendo alvos fáceis para os agressores ativos que detectam facilmente a vulnerabilidade. A vítima-provocativa é aquele estudante que se comporta de maneira a desorganizar a classe: não para quieto, tem comportamento irritadiço, hostil, dominante e agressivo, baixa tolerância à frustração e sente-se rejeitado por outros, com baixa autoestima.
Em pesquisas realizadas pelo Núcleo de Análise do Comportamento do Departamento de Psicologia e pelo programa de Pós-graduação em Educação (UFPR), os dados revelam que os meninos apresentam maior freqüência de agressões e de vitimização. Alunos de escolas particulares relatam maior frequência de agressão direta enquanto os alunos das escolas públicas apresentaram maior média na agressão relacional. É preciso levar em conta não apenas a distinção entre escola pública e particular, mas o quanto cada escola está empenhada em combater e prevenir este comportamento. Muitas escolas nada fazem porque simplesmente consideram esse fenômeno como algo normal no comportamento de crianças e adolescentes.
Esse é um fenômeno que não pode ser ignorado pelas escolas nem pela família. Nossas pesquisas revelam, de maneira, inequívoca, uma relação significativa entre o “clima familiar” e agressão e vitimização sofrida na escola. De modo geral, adolescentes provenientes de famílias que apresentam clima positivo (alto envolvimento e relacionamento afetivo, regras e limites claros, comunicação positiva, clima conjugal positivo e pais que se apresentam como modelos positivos) envolvem-se menos com bullying, tanto como agressores quanto como vítimas. Por outro lado, maior frequência de agressores e de vítimas vem de lares no qual o clima familiar apresenta vários fatores de risco, tais como uso de punição corporal, conflito familiar, abuso verbal, ausência de regras e monitoria, baixo envolvimento e clima conjugal negativo.
Assim, nota-se que o bullying não é apenas um fenômeno escolar, pois existe uma forte ligação entre o que ocorre na da família e as relações de crianças e adolescentes com seus colegas. Em um contexto atual complexo, violento, egoísta e pouco empático, é preciso atenção mais específica, sistemática e preventiva para a família e a escola, pois os efeitos psicológicos do bullying, tanto para os agressores quanto vítimas, são nefastos e duradouros.
(Envolverde/UnB Agência)
terça-feira, 15 de junho de 2010
Pais tentam valer direitos em SP por meio de ações civis públicas
Por Desirèe Luíse, do Portal Aprendiz
Por meio de ações civis públicas, pais de crianças entre zero e cinco anos obtiveram resultados positivos na busca por seus direitos no estado de São Paulo. Após constatar o aumento do número de pedidos para impedir o fechamento das creches em período de férias em Taubaté, no interior paulista, assim como a grande demanda da população pelo aumento de vagas nas creches da zona leste da capital, unidades da Defensoria Pública ajuizaram ações coletivas em favor dos pais.
A Regional de Taubaté da Defensoria Pública conseguiu, em segunda instância, decisão que obriga a Prefeitura da cidade a abrir creches, berçários e unidades de ensino infantil durante o ano inteiro, sem interrupções no período de férias. Caso descumpra a decisão, a Prefeitura deverá pagar multa no valor de R$ 10 mil por dia.
“Estamos falando de serviço público destinado às camadas mais empobrecidas e vulneráveis da sociedade, que dependem desse serviço. Além de possibilitar o acesso ao ensino, as creches são veículos fundamentais para que os pais deixem os filhos em um local seguro e possam trabalhar tranquilos”, ressalta o defensor público Wagner Giron de la Torre, autor da ação.
Em acordo, os desembargadores da Câmara Especial do Tribunal de Justiça do Estado (TJSP) determinaram que, além de manter abertas as instituições de ensino infantil, a Prefeitura de Taubaté deve dar ampla publicidade, em meios de divulgação social, à informação de que os serviços não serão mais interrompidos.
O município ainda pode recorrer da decisão. No entanto, segundo Giron, recursos não têm mais efeito de suspender o acordo do TJSP e a medida já deve valer para as próximas férias de julho.
Na cidade de São Paulo, a Unidade de São Miguel Paulista da Defensoria, na zona leste, obteve, em primeira instância, sentença favorável para garantir vagas em creches e pré-escolas para as crianças que residem nos bairros de São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo e Itaim Paulista. A decisão responde aos pedidos propostos em maio de 2009.
De acordo com os Indicadores de Referência do Bem Estar no Município (Irbem), do Movimento Nossa São Paulo, a quantidade de vagas em creches em locais próximos à moradia foi avaliada pela população da zona leste com nota 5,2, em uma escala entre zero e dez.
O defensor Leonardo Scofano Damasceno, quem assina a ação, afirma que os pedidos de vagas em creche e serviços ligados à habitação são os direitos mais solicitados. “Tantos pais pediam a mesma coisa que resolvemos fazer uma ação coletiva. A população pobre sente na pele a falta de serviço público, porque eles não têm onde resolver os problemas”, avalia.
Apesar de a sentença em primeiro grau ter sido favorável aos pedidos feitos pela Defensoria, o município de São Paulo ainda pode recorrer.
Apropriação de instrumentos legais
As ações civis públicas com relação à educação básica foram ajuizadas por constatação de demandas da população. Mas, “a ligação da maioria pobre com o judiciário ainda é nova”, diz Giron. “O instrumento é essencial para consolidar a democracia no Brasil. A Defensoria é porta-voz para levar os anseios da grande maioria marginalizada do país”.
O instrumento público também é um serviço recente. Existem Defensorias Públicas em 22 comarcas de São Paulo – o que corresponde entre 2% e 3% do total de comarcas do estado. “Quanto melhor difundida a Defensoria for, mais ela será usada”, conclui Damasceno.
Por meio de ações civis públicas, pais de crianças entre zero e cinco anos obtiveram resultados positivos na busca por seus direitos no estado de São Paulo. Após constatar o aumento do número de pedidos para impedir o fechamento das creches em período de férias em Taubaté, no interior paulista, assim como a grande demanda da população pelo aumento de vagas nas creches da zona leste da capital, unidades da Defensoria Pública ajuizaram ações coletivas em favor dos pais.
A Regional de Taubaté da Defensoria Pública conseguiu, em segunda instância, decisão que obriga a Prefeitura da cidade a abrir creches, berçários e unidades de ensino infantil durante o ano inteiro, sem interrupções no período de férias. Caso descumpra a decisão, a Prefeitura deverá pagar multa no valor de R$ 10 mil por dia.
“Estamos falando de serviço público destinado às camadas mais empobrecidas e vulneráveis da sociedade, que dependem desse serviço. Além de possibilitar o acesso ao ensino, as creches são veículos fundamentais para que os pais deixem os filhos em um local seguro e possam trabalhar tranquilos”, ressalta o defensor público Wagner Giron de la Torre, autor da ação.
Em acordo, os desembargadores da Câmara Especial do Tribunal de Justiça do Estado (TJSP) determinaram que, além de manter abertas as instituições de ensino infantil, a Prefeitura de Taubaté deve dar ampla publicidade, em meios de divulgação social, à informação de que os serviços não serão mais interrompidos.
O município ainda pode recorrer da decisão. No entanto, segundo Giron, recursos não têm mais efeito de suspender o acordo do TJSP e a medida já deve valer para as próximas férias de julho.
Na cidade de São Paulo, a Unidade de São Miguel Paulista da Defensoria, na zona leste, obteve, em primeira instância, sentença favorável para garantir vagas em creches e pré-escolas para as crianças que residem nos bairros de São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo e Itaim Paulista. A decisão responde aos pedidos propostos em maio de 2009.
De acordo com os Indicadores de Referência do Bem Estar no Município (Irbem), do Movimento Nossa São Paulo, a quantidade de vagas em creches em locais próximos à moradia foi avaliada pela população da zona leste com nota 5,2, em uma escala entre zero e dez.
O defensor Leonardo Scofano Damasceno, quem assina a ação, afirma que os pedidos de vagas em creche e serviços ligados à habitação são os direitos mais solicitados. “Tantos pais pediam a mesma coisa que resolvemos fazer uma ação coletiva. A população pobre sente na pele a falta de serviço público, porque eles não têm onde resolver os problemas”, avalia.
Apesar de a sentença em primeiro grau ter sido favorável aos pedidos feitos pela Defensoria, o município de São Paulo ainda pode recorrer.
Apropriação de instrumentos legais
As ações civis públicas com relação à educação básica foram ajuizadas por constatação de demandas da população. Mas, “a ligação da maioria pobre com o judiciário ainda é nova”, diz Giron. “O instrumento é essencial para consolidar a democracia no Brasil. A Defensoria é porta-voz para levar os anseios da grande maioria marginalizada do país”.
O instrumento público também é um serviço recente. Existem Defensorias Públicas em 22 comarcas de São Paulo – o que corresponde entre 2% e 3% do total de comarcas do estado. “Quanto melhor difundida a Defensoria for, mais ela será usada”, conclui Damasceno.
Apenas 1% das creches são boas
Por Sarah Fernandes, do Portal Aprendiz

Apenas 1,1% das creches e 3,6% das pré-escolas são consideradas boas. O diagnóstico é de um estudo do Ministério da Educação (MEC), da Fundação Carlos Chagas (FCC) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado na última segunda-feira (14/6). Ele foi baseado em questionários respondidos por professores, diretores e coordenadores pedagógicos de 147 creches e pré-escolas de Belém (PA), Campo Grande (MT), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ) e Teresina (PI).
Ao todo, 49,5% das creches analisadas foram consideradas inadequadas, segundo a pesquisa. Entre as pré-escolas o índice é de 30,4%.
A aplicação de atividades educativas recebeu nota 2,3 nas pré-escolas e 2,2 nas creches, em uma escala de zero a dez. “Mesmo as professoras que são formadas aprendem muito pouco sobre o trabalho especifico com crianças pequenas”, avaliou a coordenadora do estudo Maria Malta. “Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas mostrou que menos de 5% do conteúdo da graduação se volta para a educação infantil”.
Nas creches, o uso de livros recebeu nota 1,5. Incentivo a brincadeiras de faz de conta teve média 2,9, atividades com música, 1,7, uso de blocos educativos, 1,8, atividades de aceitação da diversidade, 1,5 e ensino sobre natureza e ciência, 1,2. Nas pré-escolas o uso de livros teve nota 2,6 e o uso de equipamento e jogos para atividades motoras ficou com 1,1.
“Avaliamos a presença de materiais em sala de aula e se o acesso era fácil para as crianças. A pontuação 1 indica que não foi encontrado nada a respeito”, contou uma das pesquisadoras do estudo, Eliana Bhering, que apresentou os resultados.
O quesito “estrutura do programa”, que observou as atividades diárias das crianças, incluindo rotinas de cuidado pessoal, teve nota 3,2 nas creches e 2,5 nas pré-escolas. “As secretarias de educação devem mandar materiais e pagar tempo de planejamento de atividades para professores. O problema é que as equipes são muito pequenas para o tamanho da rede que devem atender”, comentou a coordenadora do estudo, Maria Malta.
O espaço mobiliário recebeu nota 3,6 nas creches e 3,2 nas pré-escolas. Infraestrutura para o sono teve notas 1,8 e 2,6, respectivamente.
A pesquisa foi realizada em escolas municipais, conveniadas e particulares das seis capitais brasileiras, no segundo semestre de 2010. Ela não considerou áreas rurais e regiões pobres do interior dos estados.
“Ainda assim, todas as pessoas entrevistadas disseram que nos últimos anos a situação melhorou muito. Estamos melhor hoje do que estávamos ontem”, comentou Maria Mota.

Apenas 1,1% das creches e 3,6% das pré-escolas são consideradas boas. O diagnóstico é de um estudo do Ministério da Educação (MEC), da Fundação Carlos Chagas (FCC) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado na última segunda-feira (14/6). Ele foi baseado em questionários respondidos por professores, diretores e coordenadores pedagógicos de 147 creches e pré-escolas de Belém (PA), Campo Grande (MT), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ) e Teresina (PI).
Ao todo, 49,5% das creches analisadas foram consideradas inadequadas, segundo a pesquisa. Entre as pré-escolas o índice é de 30,4%.
A aplicação de atividades educativas recebeu nota 2,3 nas pré-escolas e 2,2 nas creches, em uma escala de zero a dez. “Mesmo as professoras que são formadas aprendem muito pouco sobre o trabalho especifico com crianças pequenas”, avaliou a coordenadora do estudo Maria Malta. “Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas mostrou que menos de 5% do conteúdo da graduação se volta para a educação infantil”.
Nas creches, o uso de livros recebeu nota 1,5. Incentivo a brincadeiras de faz de conta teve média 2,9, atividades com música, 1,7, uso de blocos educativos, 1,8, atividades de aceitação da diversidade, 1,5 e ensino sobre natureza e ciência, 1,2. Nas pré-escolas o uso de livros teve nota 2,6 e o uso de equipamento e jogos para atividades motoras ficou com 1,1.
“Avaliamos a presença de materiais em sala de aula e se o acesso era fácil para as crianças. A pontuação 1 indica que não foi encontrado nada a respeito”, contou uma das pesquisadoras do estudo, Eliana Bhering, que apresentou os resultados.
O quesito “estrutura do programa”, que observou as atividades diárias das crianças, incluindo rotinas de cuidado pessoal, teve nota 3,2 nas creches e 2,5 nas pré-escolas. “As secretarias de educação devem mandar materiais e pagar tempo de planejamento de atividades para professores. O problema é que as equipes são muito pequenas para o tamanho da rede que devem atender”, comentou a coordenadora do estudo, Maria Malta.
O espaço mobiliário recebeu nota 3,6 nas creches e 3,2 nas pré-escolas. Infraestrutura para o sono teve notas 1,8 e 2,6, respectivamente.
A pesquisa foi realizada em escolas municipais, conveniadas e particulares das seis capitais brasileiras, no segundo semestre de 2010. Ela não considerou áreas rurais e regiões pobres do interior dos estados.
“Ainda assim, todas as pessoas entrevistadas disseram que nos últimos anos a situação melhorou muito. Estamos melhor hoje do que estávamos ontem”, comentou Maria Mota.
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